A GLÓRIA DOS EDIFÍCIOS
Gigantescos monólitos erguidos
Sobre a desértica amplidão do mal
Traduzem, com fé monumental,
Toda a separação dos excluídos.
Ninguém do povo ali se sente igual,
Pois nessa praça nunca são ouvidos
E, aos pés de seus palácios constrangidos,
Não logram do poder qualquer sinal,
Esfinges surdas sem mistério algum,
Pedras vorazes de implacável fome
E que, insensivelmente, lhes consome.
Toda essa gente, sem tirar nem um,
Há de morrer em longos sacrifícios
Em prol da glória desses edifícios!
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