MARIAS DE AGORA
Ao pé da cruz, Maria Nazarena,
Com outras mães, estou em teu lugar,
Rosto severo, piedade no olhar
De mais um filho, com esse a dezena,
Que, como o teu, foi na cruz terminar.
A cruz de agora não é tão pequena,
Pois numa só multidões pagam pena
E nem se tem que madeira serrar.
A cruz de hoje, Senhora das Dores,
Feita de fome e trabalho de escravos,
Guerras, doenças, centenas de agravos,
Vem de outras romas, de novos senhores:
Nossos meninos, pregados sem cravos,
Tal qual o teu pelos mesmos conchavos!
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