A CEIFEIRA ABASTADA
Foi bem aqui na cerca, companheiro,
Que a vida do sem-terra se finou...
A morte, de emboscada, ao corpo entrou
Depois de ouvir-lhe o sopro derradeiro.
Foi só a cruz sem flor o que restou...
Sequer posso chamá-lo de posseiro,
A morte é que fez dele o seu canteiro:
Mil vermes já colheu do que plantou!
Pra morte não há terra devoluta
Qualquer corpo lhe serve pra labuta
A morte é fazendeira afortunada!
A cruz mora na cerca aprisionada
Que fim levou-lhe a alma ninguém diz....
A cruz é que da vida a cicatriz.
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