AS CRIANÇAS
Quando a criança chora por ter fome,
Os olhos da Justiça, sob a venda,
Choram com ela dessa dor horrenda
de não se merecer o próprio nome.
Quando a nudez com frio se remenda,
nem amor providência alguma tome
sofre a Justiça e inteira se consome
por esse ultraje infame e sem legenda.
E, se o futuro sonda em tal arcano,
não dirá ao Brasil, dessa leitura,
nem ordem, nem progresso, nem ventura.
Sonha, então, que a bandeira seja um pano
Com que se agasalhar uma criança
Ou que, se posta à mesa, uma esperança!
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