O EX-VOTO
Venho trazer-te a minha própria casa,
Meu corpo, minha vida, meu destino,
Tudo o que tenho, mesmo que interino,
E, um dia, a morte quando enfim te apraza.
Habito em dores meu corpo franzino,
Que de minha alma tanto se defasa,
Para, com ele, pagar-te pela rasa
O milagre de outro corpo divino.
Sou eu mesmo, Senhor, um vivo ex-voto
Oferecido por um mal remoto
De que, por tua graça, sou curado.
Sou eu mesmo esta casa em que ora habito,
Eu mesmo sou a fé, eu mesmo o rito,
Sou eu mesmo o perdão de meu pecado.
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