O CEGO
Misericórdia, filho de Davi!
cospe na terra, amassa o barro e passa
nos olhos deste cego e que se faça
a luz que anunciaste e nunca vi.
Eu te peço, oh Jesus, estranha graça,
pois olhos tenho sãos dês que nasci
e tudo o que há pra ver eu conheci
mesmo que turvo, baço e com fumaça.
Porém, eu nada vejo e nem alcanço
desse mundo a que, pela mão, nos levas,
e sou um cego a caminhar nas trevas!
Não creio nem o passo que ora avanço,
Mas, ao meu lado, todos vão tão certos
que algo há de se ver, não só desertos!
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