A MULHER QUE MEDITAVA
Que pouquinho, mirrado, quase nada
Damos de volta e a terra enfim devora,
Sumos de sombras nos jogamos fora
Extinta a chama da brasa terminada!
Tudo tão breve onde existir vigora:
Vaidade, orgulho e riqueza juntada,
Fechado o caixão, mais nenhum de cada,
Nem mesmo o nome levamos embora!
Quem diz que pode; nos diz sem poder,
Quem diz que vai; desconhece o futuro
E a luz de agora não vale no escuro!
Ninguém nunca olhou por cima do muro
E os nossos olhos não servem pra ver
Se existe um depois, depois de viver.
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