A SUPLICANTE
Eu, entre tantas, só uma entre mil,
Com palavras idênticas, imploro,
Mas não contes as lágrimas que choro
Antes de abrir teu ouvido gentil!
Se ordenares os prantos, não valoro
Quando será a vez do meu redil
E, nele, a voz tão baixa e tão sutil
Que nem ouves o pranto que te alvoro.
Por isso, meu Senhor, muda-me a sorte,
Não para ouvir primeiro minhas preces
nem para que tua graça mais apresses,
mas só para que lembres, na tua messe,
de ceifar, ao ceifares, mais um corte:
aquele que resulte em minha morte.
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