CAMINHO DE ROMEIROS
De noite, a romaria eu vi num sonho!
A estrada parecia uma espiral
Que ao céu se erguia sempre, até o final,
E o quadro era exato o que componho:
Atrás, o que se via era infernal!
Iam deixando, ao caminho enfadonho,
Corpos esquartejados e medonhos,
Andrajos se soltando em cada umbral.
Seguiam descascando pela estrada,
Podendo-se entrever, em luz dourada,
As almas reveladas pelas frestas
À frente, já no fim dessa jornada,
Eu via muitas delas libertadas
E Deus que as esperava com uma festa.
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