A ENVERGONHADA
Perdão, Senhor, se não te posso olhar...
Meus olhos estão sujos de lá fora
Onde a violência medra, o mal vigora
E a morte, em bando, anda a vida a ceifar.
Tal ódio nos fustiga ao sol agora
Que quase nada resta por amar,
Todo mundo vai só, não se faz par,
por quem morre nenhum vivente chora...
Vai-se embora liberto o felizardo,
Despido, ao fim, do exaustivo fardo
E adeus, que a vida seca não espera!
Tão seca, meu Senhor, que nem a mágoa
Pode lavar-me os olhos, tal a frágua,
Pra que eu te olhasse aqui com paz sincera.
|