A OFERENTE
Senhor, sou velha e quase nada tenho,
Mas trago-te uma história que é só minha,
Porque na vida caminhei sozinha
Na dura estrada em que de longe venho.
Embora houvesse quedas, firme eu vinha
Trazendo a cruz às costas (ou seu lenho)
Sem dobrar corpo nem franzir meu cenho,
O caminho percorri com luz pouquinha.
Se aqui cheguei por fé movida e tarde,
ponho a teus pés oferta sem alarde
com toda história que vivi lá atrás!
Cheguei mirando ao longe os teus dois braços,
cheguei na conta exata dos meus passos:
toma os meus olhos, não preciso mais!
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